quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Espinafre

Quando eu era pequena, e gostava apenas de espinafre, minha mãe me dizia que tudo o que tinha no meu prato e era verde era espinafre. Comi couve, alface, rúcula achando que era espinafre. Ainda pequena meu pai me dizia que tudo em forma de palito e frito, era batata. Comi muita mandioca achando que era batata. Mas um dia a farsa caiu. Hoje por preucação não como nada verde, pois ainda não sei o que realmente é espinafre, e já aprendi a diferenciar batata de mandioca. É fato que fui enganada, mas havia boas intenções detrás dessas pequenas mentirinhas. No entanto, a vida não é exatamente assim. Nem sempre há boas intenções atrás de pequenas farsas. Aos poucos as coisas se esclarecem, e as pessoas tropeçam em seus próprios enganos. Quando já usufruiram de tudo o que você tinha a oferecer, ainda que não fosse nada além de você, algumas pessoas se afastam. Contradizem suas verdades, escondem seus medos. Te iluminam de ilusões para que você permaneça ali, de step. Subestimam sua capacidade. Esquecem que há sempre alguém em todos os lugares. Não há como perdoar mentiras, trairagens. Mamãe e papai me enganaram, e somente eles. Não entrarás para este seleto time. Não mesmo.

sábado, 23 de outubro de 2010

Divisão

Quando crianças aprendemos que é necessário dividir. Que pra que ter quatro se você só vai usar um, se você tem mais e o amiguinho não tem por que não dar um pra ele ? Por que brincar sempre com o mesmo brinquedo se podemos revezar com o coleguinha e brincar com coisas diferentes sempre ? Ok. Isso tudo é muito bonito na teoria, e tenha certeza que vivo dizendo isso para os meu irmão e sobrinhos. E pratico isso também. No entanto dividir as coisas materias é fácil. Quando essa divisão se transpõe para os sentimentos é que o bicho pega. Morri de ciúmes quando o pequeno nasceu. Depois de 10 anos era evidente que eu não só amava, como queria continuar sendo a caçulinha. Não queria dividir meus pais e meus irmãos mais velhos com um intruso. E não é só dos meus pais que tenho ciúmes. Egoista, ciumenta, possessiva. Sou. Assumo. Esses são meus piores defeitos. Mas eles não intereferem tanto na minha vida. Aprendi a controlá-los. No entanto, quando vejo uma pessoa muito próxima a mim, se tornando próxima a alguém que eu não goste, não consigo controlar, fico puta mesmo. Sei que o problema é meu, que a não aceitação é minha, e que as pessoas devem se aproximar de quem quiserem. Me sinto traida do mesmo jeito. Acho que devo voltar a pré escola e aprender com as criancinhas como é que se divide. Pulei essas aulas. Com certeza.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Felicidade

Parei pra pensar na mensagem que recebi as 5 horas da manhã. Naquela hora meu sono me incapacitava de ver o quão grande era o sentido por trás daquelas pequenas palavras. De certo procura-se a felicidade nos grandes acontecimentos, nos momentos épicos, no passado intacto e no futuro imprevisivel. Procura-se tanto, que esquece-se de viver o agora. De perceber que a felicidade está mesmo no presente, nas coisas tangíveis e nas pessoas próximas. Afinal, é digno do ser humano, colocar a sua felicidade nas mãos de alguém e é mais digno ainda que esse alguém esteja longe, fisico e emocionalmente. Isso só é uma desculpa para a incapacidade de produzir a própria felicidade. Deve-se se ocupar de ser feliz hoje. Por causa do nascer do sol, da possibilidade de ir e vir, das oportunidades ( ainda as que perdidas ). As frustrações, as angústias e as incertezas existentes, devem ser sofridas e curtidas. E ainda sim deve-se revelar a felicidade por detrás delas, a de tê-las vivido. É fato que não há mais tempo para a preocupação nos pequenos versos. É necessário olhar o todo. A vírgula não posta, o acento errado. Pra quê reparar, se é tão melhor e mais fácil apenas reverenciar. Sei que ainda há muito pra viver. No entanto sei também que um quinto ( se eu for bem otimista ) já foi vivido. Não quero perder o "resto" do tempo com mesquinharia, milindrices e bobeiras. Quero acordar e olhar o céu, ver o sol. Aquela nuvem negra, que por ventura esteja lá, será pequena demais para me tirar o ímpeto de viver, de sonhar e principalmente de ser feliz.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Costume

Com o tempo passamos a ver as coisas mais claras. Após o turbilhão do momento, enxergamos coisas que não queríamos enxergar ou que o ímpeto da hora não nos permitia. Vemos que em algumas situações demos valor demais para pequenas coisas, e em outras demos valor de menos para grandes coisas. Percebemos que depois de se culpar, porque deveríamos ter agido de outra forma, o modo como agimos na hora foi realmente o melhor. Nossos atos e reflexões, e as consequências que eles causam, não podem ser premeditados, uma vez que só se sabe o que exatamente irá ocorrer depois de dar o primeiro passo. Ao mesmo tempo que as coisas ficam mais claras, os sentimentos se abrandam também. O que parecia ser amor era só vontade, o que se denominava amizade era só rotina, alguns relacionamento "eternos" eram momentaneos, a maioria do gostar era só costume, a maioria dos "pra sempre" era só impulso. Poucos, poucos são os sentimentos que permanecem com o tempo. Assim como são poucos amores, poucas amizades, poucos eternos,pouquissimos são o gostar e escassos pra sempre. Há de frear a emoção e questionar se a tristeza e a agonia, são sinceras, uma vez que lentamente descobre-se que quase nada do que se sentia era tão sincero, quanto o costume de querer sentir algo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Entre

Escrevo uma coisa pensando em outra. Troco as palavras de lugar, para o sentido das frases se alterarem. Penso em sinônimos, quando na verdade queria escrever antônimos. E nada, nada do que eu reportar, terá senão, um duplo sentido. É necessário entender as entrelinhas. Aliás, não somente as entrelinhas mas também as entrepalvras, os entresentidos, os entresentimentos, os entreatos, as entreintenções. Nem sei se todos esses entres existem no dicionário. Mas, sei que existem na minha rotina. Quando se come batata ao invés de xuxu, para que ninguém saiba que na verdade queria-se comer giló. Quando se pinta de rosa ao invés de azul, para que seja seu segredo que queria-se pintar de preto. Quando a boca fala ok, mas os olhos dizem não está bem, enquanto o pensamento grita que está odiando tudo isso. Esses são os entres. E apesar de não serem verdadeiros, eles também não são falsos. São só a maneira de esconder o que não se quer mostrar. Aliás, eles mostram, pra aqueles que sabem entendê-los.

Que alguém, tenha entendido os meus "entres".

terça-feira, 5 de outubro de 2010

QUASE SEM QUERER

Legião Urbana.
 
" Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso.
Só que agora é diferente:
Estou tão tranquilo
E tão contente.
Quantas chances
desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém. "