quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Caos

Há um vazio e nenhuma forma conhecida para preenchê-lo. As palavras chegam desordenadamente, alucinadamente e sem nenhuma educação. Chegam. Simplesmente chegam. E do mesmo modo, se vão. Não estão interessadas se lhe deram tempo suficiente para ordená-las. Antes de parar pra pensar, elas se esvairam. E outras entram. E nesse movimento louco, você se perde. Perde dentro de si. Procura palavras. Mas aos poucos descobre. Que essa caos não são as palavras que causam, são os sentimentos. Elas são apenas uma rotulação pro que se sente. Agora você vai, em busca dos sentimentos. Eles, muito mais espertos do que você, ora se escondem, ora aparecem todos de uma vez. E correm sem rumo, trocam de lugar, parecem fugir de você. Uns tomando o lugar dos outros. O problema é que não há pra onde se libertar. Estão todos ai dentro. Quando você consegue pegar um para pô-lo no lugar, vem todos os outros te atrapalhar. Você, sem perceber, deixa se levar na brincadeira. Quando se toca, vê que não há mais nenhum em seu poder. Já não há escolha. Deve-se voltar lá e tentar organizar aquela bagunça interna denovo. E quanto mais você tenta, mais eles fogem e zombam de ti. De repente, você para. Vê que não há jeito que dê jeito. Aquela bagunça não vai acabar. É hora de se virar para o mundo real. E tentar conviver com aquela confusão que tanto incomoda. Cedo ou tarde, eles vão cansar. E finalmente se reorganizarão da maneira certa. Cada um no seu lugar, com seu devido tamanho. Espero que eles se cansem cedo.

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