quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Corte
Quando eu tinha poucos anos, resolvi fazer arte. Cortei a barriga. Sangrava e doia, como nunca. Até então era a dor mais insuportável que eu tinha sentido, nos meus infímos quatro anos. Achava que aquilo nunca ia passar. Que aquela marca que eu acabara de fazer em meu corpo, jamais sairia. E enquanto eu me lamentava, minha mãe tranquilamente passou a mão na minha cabeça e disse : " Calma. Quando menos você esperar, essa dor vai passar. " Óbvio que ela estava certa. Aos poucos eu fui me esquecendo que havia um rasgado ali. Aos poucos aquele rasgado foi cicatrizando. Aos poucos aquela cicatriz, foi clareando. Hoje, da dor não me recordo mais. Do tombo sim. Mas não me fere. Nenhum pouco. Mal me lembro, que ainda há aquele marco em meu corpo. Passou. A dor, o pânico da hora, a vermelhidão de alguns dias que seguiram. Passou. E hoje, eu também posso dizer. Relaxa, vai passar. Porque a imagem já não tem mais significado. As lembranças estão se exumerando. As palavras já foram perdidas. Os sentimentos já se foram. Não há mais nada de ti, ou por ti em mim. Passou. E depois do ímpeto, da agonia, da dor, da neblina, quando se fez sol, e eu pude perceber que a imensidão daquilo era bem, mas bem menor do que eu suponha, posso afirmar, passou mais rápido que a cicatrização do meu corte.
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ResponderExcluirai sim, fomos supreendidos novamente... "Os sentimentos já se foram. Não há mais nada de ti, ou por ti em mim. Passou."
ResponderExcluirnão vou dizer: eu te disse, ia passar e bibibi...
se nao ficar muito cliche!
NA CARA! hahahahahaha
ResponderExcluire eu digo: mae sempre sabe tudo... espero que um dia eu tambem saiba! espero mesmo!